ROSSELLINI E A CULTURA DE MASSA – Por Dr. Luiz Freitag (*)

Imprimir
Categoria: Dicas e Fatos



Roberto Rossellini, (1906-1977) grande diretor de filmes talianos, talvez dos maiores do cinema mundial, mesmo já tendo falecido, sempre foi considerado o arquiteto do neorrealismo no cinema. Ingrid Bergman, já atriz de fama em Hollywood, apaixonou-se por ele, apesar de casada e foi para Roma, nos anos 50. Lá, Rossellini realizou com ela 6 filmes, todos nos dias atuais, considerados obras-primas de 1950-1955. São os filmes: Stromboli, Viagem à Itália, Joana D’Arc, O medo, Nós, as mulheres (episódio) e Europa’51, recentemente lançado em DVD.

Rossellini em início de carreira (1940) teve uma fase fascista nos seus primeiros filmes. Neste, Europa’51, já se nota um catolicismo exacerbado o que levou muitos críticos na época a escreverem que ele provocou uma ”traição ao neorrealismo” que ele havia ajudado a criar.

Neste filme, uma senhora da alta sociedade (Ingrid), vê seu filho menor morrer e se sente culpada pela morte. Ela parte para a região mais pobre de Roma, recém-saída de uma guerra devastadora, onde não havia empregos suficientes e as famílias numerosas não tinham mais o pai. Ingrid começa a auxiliar financeiramente uma família dessas em que um filho estava muito doente e paga o tratamento até ficar curado.

Mais tarde ajudou uma prostituta em seus últimos dias de vida. Tudo ocorreu sem que o marido soubesse onde ela se encontrava. Ele desconfiou de sua conduta, pensou que ela tivesse um amante e comunicou à polícia para procurá-la. Finalmente, é encontrada e levada a um sanatório para avaliação psiquiátrica. Ingrid apenas relata ao psiquiatra o que aconteceu e que tinha ideias de ajudar as pessoas mais pobres. Mas a conclusão do médico é de que ela não agiu bem e fica internada no sanatório, por ser considerada um mau exemplo para outras mulheres e por demonstrar uma “santidade laica”. Vejam o final do filme, que se presta a muitas discussões médicas e filosóficas.

Rossellini nos seus últimos anos de vida deixou esboços de uma autobiografia “Um espírito livre não pode aprender nada em escravidão”. Em um dos trechos dos seus escritos ele discorre sobre o vazio da cultura no cinema mundial e uma premonição que já estamos vivenciando nos meios de comunicação, principalmente nos programas de televisão, tipo Big Brother Brasil. Rossellini escreveu em 1977:

“Os sintomas inquietantes da crise que atravessamos indicam que é preciso denunciar os meios de comunicação de massa, que contribuem todos os dias para nos alienar de tudo, para alterar a nossa natureza autêntica, para diminuir a nossa inteligência potencial e o nosso natural interesse em melhorar de vida”.

(*) LUIZ FREITAG - Dr. - Médico geriatra, - Membro titular da Academia de Medicina de São Paulo- O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Site: medicogeriatrasp.com.br

Contato

Nívio Terra - Advogado de Negócios e Consultor Pessoal
nivio@PortaldoSocioedaSociedade.com.br
nivio@terracpe.com.br

Credite a fonte

O CONTEÚDO DO PORTAL DESPERTOU INTERESSE, COPIE, MAS CREDITE A FONTE. SUA ÉTICA SERÁ O FISCAL DESTE PEDIDO.
Copyright 2011 ROSSELLINI E A CULTURA DE MASSA – Por Dr. Luiz Freitag (*) - Joomla