MORRER E A MORTE DO COLEGA - Por Rinaldo Carlos Carneiro (*)

Imprimir
Categoria: Dicas e Fatos


Telefonema de Belém: um ex-colega dos tempos da Faculdade de Medicina está muito mal, está na UTI, entubado. Sofreu um infarto devastador e só vinte por cento do seu músculo cardíaco está preservado. No dia seguinte, já daqui de São Paulo, outra notícia: Morreu ontem.

É impressionante a rapidez com que a notícia de uma morte se espalha e percorre milhares de quilômetros. Alguém que há quase meio século não via, para ser exato desde o dia de nossa formatura, e de quem nos últimos anos tivera muito poucas notícias morreu e me avisam. Deixei Belém do Pará e vivo em São Paulo há muito tempo, fomos colegas de turma durante anos, nos víamos frequentemente, estudamos juntos durante muitas noites na casa de outro colega, conversávamos, concordávamos ou divergíamos.

Apreciava as qualidades, tolerava seus defeitos e deslealdades com a rapidez e a generosidade que a juventude é capaz. Conheci sua mãe, nada sei de sua família, de seus filhos, de sua trajetória profissional. De repente soube que adoeceu e morreu.

Deve haver razões especiais para a necessidade imperiosa de rapidamente avisar e divulgar a ocorrência de uma morte. Frequentemente chega a notícia de pessoas que mal lembrava e nem me ocorria que ainda estivessem vivas. Supera até a repercussão do nascimento de um primeiro filho. Parece que é uma maneira de comemorar o continuarmos vivos e o morrer, acontecimento absolutamente natural e previsível toma ares de extraordinário e inexplicável.

Aquele morto não merecia morrer!

Desde tempos imemoriais especula-se e muito se escreve sobre como será e quando acontecerá o fim do mundo. Superamos recentemente as previsões de um calendário maia. Se conseguir evitar a colisão acidental de um cometa ou de um grande meteoro surgido das profundezas do espaço, a ciência prevê o fim do nosso mundo, de nosso pequeno planeta, só para daqui a alguns milhões de anos com o declínio e a morte do nosso sol. Não sei se a espécie humana durará tanto. No entanto eu acredito que o mundo acaba a cada instante com a morte de alguém.

Morrer é o fim do mundo para o que morre. Tudo se extingue e desaparece: pessoas, animais, construções, rios, montanhas, oceanos, afeições e desamores, deveres e obrigações, expectativas e arrependimentos, alegrias e tristezas, boas e más recordações e a própria dor do existir.

Tudo se acaba envolvido na escuridão de um fim de mundo,

ou pelo menos para aqueles que ainda creem, do fim deste

mundo.

(*) Rinaldo Carlos Carneiro, médico.

Autor do livro A Árvore do Conhecimento – Uma reflexão sobre as crenças

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Janeiro 2013

Contato

Nívio Terra - Advogado de Negócios e Consultor Pessoal
nivio@PortaldoSocioedaSociedade.com.br
nivio@terracpe.com.br

Credite a fonte

O CONTEÚDO DO PORTAL DESPERTOU INTERESSE, COPIE, MAS CREDITE A FONTE. SUA ÉTICA SERÁ O FISCAL DESTE PEDIDO.
Copyright 2011 MORRER E A MORTE DO COLEGA - Por Rinaldo Carlos Carneiro (*) - Joomla