De Gaulle e o Brasil - 'Le Brésil n'est pas un pays sérieux... ' Corrigindo!!!

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Categoria: Dicas e Fatos




Vez ou outra
é referida frase ofen­siva ao nosso país, como se fora usada por De Gaulle. O Prof. Sólon Borges dos Reis já teve oportuni­dade de bem esclarecer o assunto (*):

"Atribui-se geralmente ao general de Gaulle a frase, hoje famosa, que teria pronunciado quando presi­dente da França:

'Le Brésil n'est pas un pays sérieux... '

Mas o diplomata Carlos Alves de Souza conta em seu livro Memórias em tempo de crise (Livraria Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1979, págs. 316 e 317) que a frase foi dita por ele, quando embaixa­dor em Paris, em conversa com um jornalista brasileiro, numa recep­ção, na capital francesa, num dos primeiros anos da década de 60.

Depois de uma audiência a que fo­ra convidado por De Gaulle, a fim de trocar ideias sobre a chamada 'guerra da lagosta', o embaixador nada teria declarado aos jornalis­tas e fotógrafos que o assediaram à saída.

Pouco mais tarde, numa recepção na residência do pesidente da Assembleia Nacional, em con­versa com Luiz Edgar de Andrade, então correspondente do jornaldo Brasil em Paris, fizera sentir ao jor­nalista sua desaprovação a algu­mas formas da reação brasileira à atuação da França no episódico li­tígio, citando inclusive o samba ‘A lagosta é nossa' e a irreverência com que se caricaturava Charles de Gaulle.

Para completar o desa­foro, teria concluído, então, com a frase impiedosa: 'O Brasil não é um país sério... '

Do francês presidente ou do mi­neiro embaixador, a frase correu mundo, fez carreira. E, volta e meia, continua a ser citada para ornamentar análises de figuras, gestos, situações e fatos que desa­fiam, entre nós, o chamado senso comum. O menos comum, aliás, de todos os sensos.

No fundo, porém, o Brasil é um país tão sério quanto todos os de­mais. Embora nem sempre nos de­votemos a ele com a responsabili­dade que merece e de que tanto precisa.

Não nos esqueçamos de que o que dá pra rir dá pra chorar. E de que a recíproca, igualmente, é verdadeira."

(*) OESP, 26 de abril de 1983

Jarbas Passarinho, à época presidente da Fundação Milton Campos, também teve a oportunidade de se referir ao assunto, no artigo “A força da versão” (**):

"Há muito tenho ligado fatos a versões que prosperam como autênticas, tornando, à força de repetidas, praticamente impossóvel fazer valer a verdade. Uma das mais difundidas atribui ao presidente De Gaulle ter dito que o Brasil não é um país sério.

Exaustivamente reiterada, parece traduzir uma vocação masoquista de brasileiros que se comprazem em citar o insulto, como se fosse uma honra sermos insultados por um estrangeiro importante.

No entanto, a frase que de fato foi dita, é de um embaixador brasileiro que chefiava a nossa missão diplomáica em Paris. Foi dita no auge da ‘guerra das lagostas’, como ficou conhecida jocosamente a nossa disputa com a França a respeito do direito de pesca no litoral.

O embaixador Alves de Souza conta em suas memórias que tivera dificuldade de argumentar junto ao governo francês, tal a constante mudança das instruções que recebia do Itamaraty.

Num desabafo, disse ao diplomata que o acompanhava ao Quai d’Orsay: ‘Decididamente, o Brasil não é um país sério’.

O que vale, entretanto, como disse Alkmim, é a versão, que põe na boca do general De Gaulle a ofensa de que nos orgulhamos.”

(**) OESP, 19 de junho de 2001

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