DICAS PARA PREPARAR UMA PÉSSIMA SUCESSÃO FAMILIAR ou COMO DESTRUIR UMA EMPRESA COM CONVICÇÃO.

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Categoria: Dicas e Fatos

Nívio Terra (*)

A sucessão familiar é, certamente, o mais debatido assunto da Teoria da Administração através de artigos, conferências, simpósios, comentários em jornais, revistas, newsletters, nacionais e internacionais.

Não obstante tamanha divulgação, raro o empresário demonstrar maior interesse, a ponto de proceder à necessária análise cogitando como será o futuro do seu empreendimento e, principalmente, da sua família.

O empreendedor também não se dá conta que hábitos praticados, impensadamente, na sua atividade normal, trarão obstáculos para a continuidade da organização.

Da mesma forma, alguns procedimentos encontrados no relacionamento entre sócios e familiares raras vezes chamam a atenção para erros cometidos, e que, adiante, integrarão um rol de dificuldades intransponíveis para o retorno ao bom convívio.

Quem assim age necessita ser provocado a meditar sobre a realidade do mau comportamento, o que procuramos atingir através da lembrança de atitudes causadoras de prejuízo à continuidade da sociedade, na atualidade.

Tais atos representam, também para o futuro, uma verdadeira bomba de efeito retardado para os sucessores – esposa, filhos, sobrinhos, genros, noras, etc.

Parece-nos que um palavreado áspero, talvez até chocante, embora coletado na vivência empresarial, tenha a virtude de sensibilizar aquele que esteja apenas desatento em seus atos.

Daí resultou um conjunto de ótimas DICAS para preparar atritos societários que levam, no mínimo, a uma péssima sucessão familiar . São elas:

1. Na formação da sociedade, seus componentes não devem se aprofundar na análise da contribuição de cada qual, seja de trabalho ou de capital. O negócio é ir levando, um dia se acerta...
2. O líder maior – sempre deve haver um – procurará não dar muita atenção para os seus sócios. Afinal ele é o máximo! Sabe tudo! Acerta sempre!
3. Nos poucos debates sobre os objetivos da empresa o sócio jamais se rebaixará, não aceitando ponderações dos outros sócios, usualmente vindas de quem nada sabe.
4. Nas raras vezes em que um sócio trouxer alguma opinião válida, o outro deverá subscrevê-la como sua própria, especialmente para o mercado.
5. Nos contatos com o mercado, somente o líder maior deverá aparecer, mesmo que não tenha capacidade para tanto. Os demais precisam é tomar conta da casa.
6. O sócio, nitidamente majoritário, não dará oportunidade para um minoritário alcançar uma melhor posição, devendo ser mantido como "burro de carga" (pode ser apelido vexatório dado pela família, mas não importa).
7. Os sócios devem se visitar freqüentemente, com todos os seus familiares. Cada qual deverá mostrar que a empresa é o que é, graças ao seu extraordinário trabalho individual.
8. De preferência, os familiares do sócio líder deverão se apresentar muito bem trajados e com o carro do último tipo, não importando a situação econômica ou financeira da empresa ou dos sócios.
9. Surgindo alguma queixa de seu parceiro – oriunda de quem nunca tem razão, certamente – precisará ser rebatida com rispidez, pois assim as coisas progridem.
10. O líder jamais admitirá comparações entre sua pessoa e família e os demais sócios e familiares. Afinal, a empresa precisa ser bem representada no mercado.
11. Em conversas com pessoas do mercado, clientes, associações, os sócios devem se queixar dos seus companheiros, mostrando serem os outros uns palermas, sequer trabalham. O discursador da hora é quem carrega o negócio.
12. Ainda que raras, as rusgas com sócios devem ser comunicadas aos familiares como atritos incontornáveis. E, no caso de a divergência vir a ser deixada de lado, por acerto ou acomodação, esse fato novo não poderá ser informado àqueles terceiros que convêm permaneçam com restrições aos demais participantes da sociedade.
13. Ocorrendo nova divergência, a notícia terá de ser transmitida e jamais apagada, ainda que num encontro social os familiares troquem violentos olhares.
14. O sócio que cuida do caixa, poderá efetuar retiradas maiores, mesmo fora do ajustado, a título de representação ou outro, não importa! Um dia, quando for possível, isso talvez se acerte, mas não é importante.
15. O filho, ou o genro do líder, mesmo sem experiência, deverá ser recebido na empresa como uma extensão do dono, cuidando das suas funções como quiser, já que tem deveres fora, como estudos, cuidar das amizades para quando for o dirigente máximo, etc.
16. O líder nunca aceitará que o filho do sócio, no mínimo uma besta, seja admitido no serviço, ainda que brilhe na faculdade, mesmo porque isso não interessa no dia-a-dia. Genro do sócio é sempre um aproveitador, então, sai dessa...
17. O sócio deverá chegar em casa lamentando-se do serviço, das mudanças da lei, nos impostos, a trabalheira para entender as exigências do governo, os fornecedores inconstantes, os clientes insatisfeitos, além de os sócios serem uns acomodados, deixando tudo para ele, líder, resolver.
18. Muito importante é a queixa à sua esposa pelo sócio ter abandonado a família e se juntado a uma sirigaita; uma história bem apimentada deve acompanhar a informação.

PRONTO, aqui estão algumas idéias brilhantes preparatórias para uma fatídica sucessão na sua empresa, caso, antes, não ocorra uma ruinosa dissolução da sociedade. Basta usar e não é necessário abusar.

Senhor empresário, algo semelhante poderá estar ocorrendo na sua organização. Não será melhor verificar enquanto é tempo?

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(*) Nívio Terra é Advogado, Consultor Pessoal, Palestrante e autor do livro
Meu Sócio, Meu Amigo. – Como Evitar Atritos Societários.
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(Você já leu? chegou no dia 24/07/02)
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